Se grande parte da esperança estava depositada nas pessoas
que hoje foram às ruas, a esperança morreu de vez. Sequer um cartaz contra a
terceirização. E as cobranças por mais investigação na operação Zelotes? E a
lista do HSBC? E este congresso retrógrado que está aí? E líderes da câmara e
senado sendo investigados na Lava Jato? Nadinha sobre as pautas mais
importantes?!?! Um povo que seleciona qual a boa e a má corrupção? E estes
saudosistas do golpe militar? Da ditadura? E o povo tirando fotos e selfies com
policiais? Com torturadores da ditadura? Jura que você deposita aí a sua
esperança?
Sempre vi o copo meio vazio e realmente não tenho esperanças
de que as coisas caminhem no rumo e na velocidade que deveriam ir. Entendo a
economia como a união de um estado cada vez menor e uma sociedade vigilante e
atuante, e neste sentido as manifestações sempre me trazem esperança, não pelos
objetivos em si, mas pelo sentido democrático das mesmas. Miopia, ignorância,
falta de visão ou deturpação de objetivos devem existir, simplesmente pelo
valor do contraditório, porém virão acompanhados de ideias, posições, fervor
politico (mesmo em excesso) - e não seria essa a essência da democracia que deveríamos
enaltecer?
Algumas das pautas importantes estão acontecendo (e daí a
existência dos confrontos e ideias). Já vemos alguns maus políticos de todos os
partidos sendo punidos e a opinião publica se fortalece como um poder real. O
desejo da melhoria na educação é uma unanimidade e se discordamos da forma,
concordamos com o objetivo. Todos nos queremos um crescimento sustentável, uma diminuição
nas desigualdades sócias, liberdade de opinião, menos violência e direitos
assegurados.
Já a terceirização é um assunto mais complexo. Envolve
flexibilização e direitos trabalhistas e, neste ponto, estamos muito atrasados
em relação a economias desenvolvidas. A flexibilização é necessária para
virarmos um pais moderno e rico, porém a transição deveria ser cuidadosa e bem
discutida. Da forma que foi feita é perigosa e pode influir negativamente na
Lei de Responsabilidade fiscal, e adeus nosso sonho de virar uma Coreia ou pelo
menos um Chile.
Andamos para trás nestes quatro anos e Dilma jogou por terra
tanto a estabilidade tucana quanto o resgate social petista. É a incompetência
dilmista associada a insensibilidade social tucana, ao populismo lulista e o
oportunismo dos demais. Ela conseguiu superar a todos!
E a solução? Um grupo suprapartidário de políticos e a
sociedade civil organizada, desarmados de matizes ideológicas, com um plano de 20
ou 30 anos para nos tirar deste eterno atoleiro de pais mediano (ou medíocre).
E isso só vai acontecer com a pressão da opinião pública. Talvez nossos netos
consigam realizar!