19 de julho de 2009
Minha casa, meu castelo!
O conceito de moradia como abrigo da natureza, refúgio último aos infortúnios da vida, remota ao surgimento das primeiras moradas fixas do ser humano. Ao deixar de ser nômade e ocupar as cavernas, o homem passou a estar protegido e proteger o seu bem maior: sua casa.
O logus humanus passa a ser referencial para a realização dos maiores sonhos do ser humano, para aventuras além fronteiras, para expansão dos seus limites; passa a ser o marco inicial para a satisfação do instinto básico da conquista: novas terras, novos mundos. Abrigar, preservar, planejar. De sua casa o homem parte para alcança o que é seu por direito. Progresso, família, conquistas. O futuro lhe pertence.
A casa é a base inicial. O alicerce necessário. E até hoje mantém as mesmas premissas, desde a pré-histórica. A Proteção da natureza - sólida, impenetrável, segura. A Base da família - aconchegante, agradável, tranqüila. O porto seguro – local de pensar, planejar, retornar.
Cada espaço, limitado por paredes ou aberto, separados ou interligados permanecem atendendo as mesmas funções.Essa distribuição permanece inalterada a milênios. Sala ou salâo – da interação familiar ao convívio social limitado aos seus. Quartos – da intimidade a dois à individualidade resgatada no isolamento opcional. Cozinha – da reserva alimentar ao preparo e nutrição.
Na evolução espiral da história fomos das cavernas aos castelos, passamos por casas e apartamentos e chegamos aos lofts, studios, aparts club residences, condomínios resorts, flex, duplex e tripex, services, all incusive, lounge, megas, softs e Uniqué. E nada mudou!
A maquiagem, os “novos conceitos” atendem a demanda do marketing comercial, necessária e alentadora. Podemos viver em apartamentos de 12,00 m2 e mansões de 2.000,00 m2, satisfeitos e plenamente atendidos. O uso as funções são imutáveis. Em linguagem de arquiteto – O programa é o mesmo.
- Lar, doce lar! - Daqui eu vejo o mundo, daqui me lanço. - Este espaço é meu e por isso tem de ter a minha cara. E cada cara é única, e cada espaço também. E assim deve ser...
Ou talvez tenha chegado a hora de rompermos as barreiras, criarmos novos conceitos, novos espaços, refuncionalizados e readequados ao novo homem uma nova forma de morar em um novo mundo que já esta aí.
As expectativas já existem, as propostas (mesmo que incipientes) começam a surgir. Aos pensadores, urbanistas e arquitetos... O desafio já foi lançado!